sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Capítulo 2, Parte 2: Festim dos Corvos: Kathryn
Ao abrir meus olhos, percebo que estou deitado em uma cama. Ainda estou na casa em que fomos atacados por Dullahan.
“Espere um pouco... eu não lembro de ter desmaiado na cama.” – penso. Lentamente me levanto e olho nos arredores. A cama deveria estar bem suja com o sangue de Myles, mas parece ter sido limpa antes que me deitassem nela. Então também vejo que Myles não está na casa e a porta está aberta.
Vou até lá fora e vejo uma bela moça, de cabelos ruivos e olhos verdes, terminando de enterrar alguém, que suspeito ser Myles. Pela luz do dia creio que estejamos no meio da tarde.
Antes que me veja, falo para a moça:
- Vejo que a casa é sua.
A moça se assusta. Ao me ver, ela volta a enterrar, falando:
- Quando eu voltava para cá ouvi o relinchar louco de um cavalo e vi um cavaleiro fugir desembestado da casa. Assim que entrei, te vi caído no chão e o rapaz morto, coberto de sangue. Logo vi que foi um ataque. Só não sei como não se machucou. Foi você quem fez isso?
Ela me interrogava, mas parecia não ter medo, mesmo se eu fosse um louco sedento por sangue e sexo. Para viver sozinha neste lugar, deve saber se defender bem. Ainda mais com a minha espada, que agora noto estar em sua posse, com a bainha presa em sua cintura, sem falar da pá em sua mão.
- O rapaz que você sepulta era um pobre coitado, vítima do emissário da morte. Escapei com muita sorte, mas foi uma sensação que não desejo a ninguém. Bem, talvez a alguns inimigos. – respondo.
- Você não parece mentir, mas acho que não contou tudo. Quem era aquele cavaleiro? Ele era estranho. Sugiro que saia antes dele voltar.
- Se eu lhe dissesse quem ele era, não acreditaria. Nem eu mesmo acredito direito. Mas não se preocupe, eu vou deixar sua casa. Só entrei aqui por estar desesperado, mas o perigo já passou.
- E para onde vai, viajante?
- Londres.
- Negócios a resolver?
- Vida nova a trilhar. Na verdade busco uma nova razão de viver. A minha já se foi.
- É uma pena, mas eu sei como é. Meu marido um dia simplesmente sumiu e me deixou aqui. Depois de chorar por ele por não sei quantos dias, achei melhor dar continuidade.
- Mas não é agonizante ficar todos os dias aqui sem contato com outras pessoas? Sem falar do perigo de bandidos e outras criaturas da noite.
- Eu sei me virar. Se não soubesse já teria ficado louca ou morrido.
As palavras da moça são frias, endurecidas. Tenho pena dessa vida que ela leva.
- Meu nome é Ryan McDnovan. Qual o seu nome?
- Kathryn.
- Hum... como eu disse, eu estou indo a Londres atrás de uma nova vida. Gostaria de ir atrás de uma nova para você também?
- Nem nos conhecemos, Ryan. Como eu posso confiar em você?
- Tem razão. Se continuar aqui morrerei seca e louca.
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