sábado, 6 de março de 2010

Capítulo 2, parte 4: Festim dos Corvos: Três vezes morte

Ao ouvir as palavras do estranho homem, sinto um frio em minha espinha. 
- C-como assim? Quer dizer que eu ainda verei o cavaleiro mais duas vezes? - pergunto. Kathryn parece bem confusa, mas fica calada, olhando para nós dois, com a mão no cabo da espada.

- Não. A morte aparece de maneiras diversas para nós. Em breve a ave agourenta e o grito que anuncia o fim lhe cruzarão o caminho. Lembre-se de minhas palavras. uma pedra branca no caminho e a dor de uma mulher poderão lhe salvar da morte, contudo... - diz ele, sem completar a última frase.

- Contudo o quê? Quem é você, afinal? - pergunto, já um pouco irritado e curioso ao mesmo tempo.

Então o estranho druida responde:

- Eu sou apenas um mensageiro. Um homem que recebe as palavras do futuro pelas chamas de minha fogueira. Minha última visão só posso lhe contar na hora certa. Dizer-te agora só vai trazer apreensão e no momento de acontecer terá esquecido. Mas te aviso: tome cuidado com aquele que voa nas sombras e alimenta-se dos mortos. Muitos olhos os observam agora.

Confuso com tais palavras, vejo que Kathryn está como eu, então ela se adianta e pergunta ao druida desconhecido:

- E quanto a mim? Algum aviso?

- Aquele a quem procuras voltará, e será o momento da despedida.

Nesse momento um vento forte apaga as chamas da fogueira. Ao olhar novamente para o local onde o druida estava, vemos o local vazio. Estranho. 

Calado, tento reacender a fogueira e tenho sucesso. Tanto Kathryn quanto eu passamos a noite calados, pensando nas palavras proféticas do estranho homem.