terça-feira, 30 de junho de 2009

Cap. 1, parte 4: O Cavaleiro da Morte: A Cabana


- O que quer dizer com... Dullahan? Está dizendo que é ele que está matando vocês?- perguntei, incrédulo.

- Sim! Você tem que acreditar em mim!

Sem esperar a minha reação, o ladrão saiu correndo pela estrada, ainda cambaleante.A luz da lua por entre as árvores só era o bastante para não ficarmos no breu total. Com dificuldade, seguimos juntos pela estrada, sempre atentos ao som de cavalos ao longe. No caminho, improvisei uma atadura com farrapos para estancar o sangue no braço do homem. Myles é seu nome, segundo ele.

Apesar de tentar ajudá-lo nessa fuga, ainda tinha muita dúvida se era delírio, mentira ou apenas o medo os confundiu. A escuridão da noite pode pregar diversas peças. "Será que é mesmo verdade?" - pensei. Após um bom tempo de caminhada, eu já estava tendo que carregar o homem nas costas, mesmo que ficasse completamente sujo com o sangue que lhe cobria o corpo. Felizmente a sorte parece nos sorrir.

- Uma cabana! - avisei ao já semi-consciente Myles.

Seguimos até lá e bati à porta. Ninguém atendera. Deixei Myles encostado na parede e tentei arrombar a entrada e pronto. A tranca de madeira cedera depois de umas quatro fortes investidas.

O lugar tinha apenas um cômodo. Parecia o lar de um caçador ou lenhador solitário. Entramos e Myles deitou-se na cama. Enquanto eu fechava a porta novamente com um cabo de vassoura como tranca, ele me perguntara:

- Por que me ajuda, se momentos antes nós lhe ameaçamos a vida?

- Nem eu sei. Hoje só sigo o que me der na telha. Se sobrevivesse esta noite iria caçar vocês, talvez.

- E enfrentaria a nós três?

- Você estava fora de combate mesmo quando nos encontramos no início. Os outros tiveram a vantagem da surpresa, mas não me subestime, rapaz. Como comerciante em Dublin eu também treinei espada com meu pai. E não sou burro. Faria mais ou menos como vocês e os emboscaria em algum lugar.

- Mas você não tem medo de morrer?

- O que me segurava neste mundo se foi dias atrás. - respondi, com pesar. Quando terminei de trancar a porta e ajeitar um canto na parede, me cobri com outro cobertor que estava guardado e fiquei de guarda. A noite já se aproxima do fim.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Capítulo 1, parte 3: O Cavaleiro da Morte: Perseguidos

Sozinho na floresta, ainda tentei me esquentar mais perto da fogueira. Ao longe o som do vento parecia o gemido lamuriante de almas condenadas. Sons de cavalos também são ouvidos. Para evitar mais problemas, apaguei as chamas com areia e me escondi na árvore, de espada em punho.


Por sorte, ou azar, não sei, o misterioso cavaleiro seguiu reto em sua jornada e aparentemente não notou minha presença ou sequer dera importância. O que sei é que o som da cavalgada distanciou-se, indo ao norte pela estrada. Imagino se seriam soldados atrás daqueles bandidos, ainda os caçando. Sabendo que não poderia ficar seguro ali sem congelar, resolvi seguir meu caminho.


Caminhando pela estrada, pude ouvir novamente o cavalgar do cavalo misterioso, mas desta vez não vinha da estrada, e sim de dentro do bosque. Junto com ele, também ouvia gritos de socorro e desespero e tais vozes com certeza eram dos bandidos.


“Parece que eles estão sendo caçados mesmo”
– pensei. Sorri levemente, agradecendo aos céus por ver que há certa justiça no mundo ainda. Continuei meu caminho.


Minutos depois, ouço movimentos no bosque e saco minha espada, tentando ver quem se aproxima. Um vulto estranho, completamente sujo de sangue, surge na minha frente, desesperado. É um dos bandidos que me assaltou. Pelo cobertor que o cobre, noto que é o rapaz ferido, já muito fraco e cansado.


- Por favor, me ajude!! E-ele está atrás de mim!! Matou meus colegas! E agora clama pelo meu nome! Ele vai me matar!


- E por que deveria? Se dependesse de vocês eu estaria morto! – retruquei.


- Estávamos desesperados! O-o assalto não correu bem! Os mercadores estavam muito bem escoltados! E então ele apareceu! Nós corremos quando vimos ele gritar pelo nome de Shane e a cavalgar atrás de nós.


- Mas quem é esse cavaleiro que está caçando vocês?


- O cavaleiro sem cabeça! Dullahan!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Cap. 1, parte 2: O cavaleiro da morte: noite longa


Quieto, esperando o sono chegar para tornar a noite menos longa, fitei por vários minutos a chama trêmula da fogueira acesa. Sim, eu sabia que era me arriscar ainda mais, mas o frio tornara-se insuportável, mesmo com meu cobertor. O vento gélido da noite de outono castigava meu rosto.

“Num frio desses duvido que apareça alguém por aqui”.– pensei.

Ledo engano.

Apesar de alerta, logo meus olhos foram ficando mais pesados, o que me baixou a guarda e os reflexos. Não notei a presença de três saqueadores que fugiam de uma tentativa frustrada de saque a uma caravana. A fogueira era como um ponto de luz nas mais profundas trevas. Eles vieram diretamente a mim ao avistarem-na de longe.

Em passos silenciosos, os três bandidos cercaram a área, protegidos pela escuridão não alcançada pela luz da chama. Mal meus olhos fecharam-se e fui despertado pelos movimentos bruscos deles, que chegaram rapidamente em cima de mim, com suas espadas prontas para me matar.

- Pode parar aí, infeliz! Passa apenas as moedas e o cobertor! Senão, a gente te mata aqui mesmo! – ameaçou o líder.

Eles vestiam muitas roupas de couro e pela luz pude ver que um estava ferido, sangrando bastante no braço direito. Apesar do frio, este suava e visivelmente se mantinha de pé com dificuldade. Sem saída, entreguei meu saco de moedas e o cobertor, mas não sem antes esconder minha espada embaixo de uma raiz, sutilmente.


- Aqui estão. – respondi, ao entregar o que ordenaram, torcendo para que não notassem a espada escondida.


Felizmente a pressa deles se mostrou minha aliada. Rapidamente eles deixaram o local, cobrindo o parceiro ferido com o cobertor.

Não os culpo, talvez no lugar deles fizesse o mesmo, no desespero de ajudar o colega. Mas agora tenho um grave problema: o frio.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cap. 1, parte 1: O cavaleiro da morte: a dor por Kathleen


Pela tarde daquele dia de outono de 1321, eu seguia sozinho em direção a Londres. Eu sei que é uma viagem muito longa, quase 300 milhas, mas não tenho pressa. Minha razão de viver está enterrada no mausoléu dos MacDonovan, junto com outros ancestrais meus.

************

Meu nome é Ryan MacDonovan. Até duas semanas atrás eu era um comerciante de Dublin, pertencente a uma família com uma boa quantidade de riquezas, mas isso de nada ajudou a salvar minha amada da tuberculose. Após anos sem podermos viver devidamente como marido e mulher, minha amada Kathleen me deixou para sempre.

Amargurado, não tive mais ânimo para retomar os negócios da família. Meus irmãos ficaram preocupados comigo, com razão, mas nada podiam fazer para aplacar minha dor. Quisera eu ter ido com ela, mesmo sabendo que, no fim, a morte apenas aliviou seu sofrimento de anos pela maldita doença.

Dias após a carpideira terminar seu lamento diante do túmulo de Kathleen, parti de minha cidade natal em busca de uma nova vida, um novo sentido para seguir em frente. Apesar de não gostarem muito da idéia de eu seguir sozinho pela estrada perigosa, meus irmãos Brian e Douglas não me impediram. Afinal, era isso ou me veriam definhar devagar e agonizante dia após dia, em profunda tristeza.

************

Pois bem, andando pela estrada, a noite já se aproximava. Nessa época o tempo de luz solar é bem mais curto que as trevas noturnas, por isso devo tomar cuidado. Bandidos rondam a estrada. Assim, ao encontrar uma grande árvore um pouco afastada da estrada, armo meu acampamento: uma pequena fogueira para me proteger da gélida noite, um bom cobertor de couro, uma ração para viagem e um pouco de água. Por entre as grandes raízes do carvalho me aconcheguei e esperei a noite passar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Introdução aos Contos do Viajante


Os contos que serão relatados neste blog são obviamnete fictícios e serão relatados em primeira pessoa, sob a visão do viajante Ryan MacDonovan, viúvo que decidiu partir de sua terra natal, Dublin, após a morte de sua esposa.

Em busca de uma nova razão de viver e novas experiências, Ryan entrará no mundo misterioso das superstições e mitos célticos e nórdicos da Europa medieval dos século XIV, onde cristianismo e religiões pagãs lutam por espaço, e as criaturas da noite cada vez mais se escondem dos olhos da civilização. Munido de sua espada, este homem enfrentará bandidos, seres de outro mundo e até mesmo o além-mar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Dullahan


O Dullahan (também conhecido como Durahan ou Gan Ceann, conforme a região) é um tipo de fada unseelie. Teria sido a inspiração para a lenda do cavaleiro sem cabeça, já que uma de suas formas mais conhecidas é de um cavaleiro sem cabeça, ou de armadura vazia.

É visto geralmente montando um cavalo negro, também sem cabeça. Às vezes aparece segurando sua cabeça em uma das mãos. Esta tem os olhos parados e fixos, a boca em um esgar de terror, tendo os lábios praticamente rasgados de um extremo a outro, e a carne do rosto é esverdeada e tem a consistência de um queijo moldy.

Dizem que surgem no crepúsculo, principalmente na época de certas festas como o Samhaim. É uma das mais terríveis criaturas do mundo dos espíritos. Costumam ser vistos cavalgando belíssimos corcéis negros. Sempre que um deles para e desce de sua montaria é certo que alguém morrerá.
Em algumas lendas ele é descrito dirigindo uma carruagem puxada por seis cavalos negros e usando um chicote feito de fêmur humano.
Trajando belas capas negras esvoaçantes, os Dullahan não tem nenhuma cabeça sobre seus ombros.Ele anda com ela em suas mãos. Esta cabeça é dotada de visão sobrenatural, e elevando sua cabeça a certa altura pode ver a grandes distâncias, claramente, mesmo nas noites mais escuras.

Quando ele se aproxima de alguém e essa pessoa olhar para ele, o dullahan poderá puní-la jogando sangue em seu rosto, ou golpeando-lhe o olho. O medo maior de todos entretanto é se o Dullahan parar e chamar o nome da pessoa. Isto condenará a alma da vítima a viver vagando para sempre entre a vida e a morte.

Ao contrário da banshee, que é conhecida por advertir de uma morte eminente em determinadas famílias, o Dullahan não vem advertir, ele é o executor definitivo, e ninguém poderá impedí-lo de cumprir seu intento, todas as portas e janelas trancadas se abrem para deixar passar o Dullahan.
De fato a única coisa que pode detê-lo é um objeto feito do ouro. Por alguma razão, o Dullahan tem um medo irracional do ouro e mesmo uma quantidade minúscula pode ser o bastante para amedrontá-lo terrivelmente.

Não se sabe ao certo como o mito do Dullahan se originou, talvez sua origem esteja em Crom Dubh, deus da fertilidade, que recebia sacrifícios decapitando suas vítimas
A adoração de Crom Dubh terminou no século VI com o advento do cristianismo, entretanto a figura do Dullahan permaneceu no imaginário celta.

Apresentação

Criei esse blog pra ver se rola fazer algo que tinha pensado anos atrás, mas como era moleque não tive paciência para começar direito.

Espero ver se dessa vez rola criar uma história interessante.