
Quieto, esperando o sono chegar para tornar a noite menos longa, fitei por vários minutos a chama trêmula da fogueira acesa. Sim, eu sabia que era me arriscar ainda mais, mas o frio tornara-se insuportável, mesmo com meu cobertor. O vento gélido da noite de outono castigava meu rosto.
“Num frio desses duvido que apareça alguém por aqui”.– pensei.
Ledo engano.
Apesar de alerta, logo meus olhos foram ficando mais pesados, o que me baixou a guarda e os reflexos. Não notei a presença de três saqueadores que fugiam de uma tentativa frustrada de saque a uma caravana. A fogueira era como um ponto de luz nas mais profundas trevas. Eles vieram diretamente a mim ao avistarem-na de longe.
Em passos silenciosos, os três bandidos cercaram a área, protegidos pela escuridão não alcançada pela luz da chama. Mal meus olhos fecharam-se e fui despertado pelos movimentos bruscos deles, que chegaram rapidamente em cima de mim, com suas espadas prontas para me matar.
- Pode parar aí, infeliz! Passa apenas as moedas e o cobertor! Senão, a gente te mata aqui mesmo! – ameaçou o líder.
Eles vestiam muitas roupas de couro e pela luz pude ver que um estava ferido, sangrando bastante no braço direito. Apesar do frio, este suava e visivelmente se mantinha de pé com dificuldade. Sem saída, entreguei meu saco de moedas e o cobertor, mas não sem antes esconder minha espada embaixo de uma raiz, sutilmente.
- Aqui estão. – respondi, ao entregar o que ordenaram, torcendo para que não notassem a espada escondida.
Felizmente a pressa deles se mostrou minha aliada. Rapidamente eles deixaram o local, cobrindo o parceiro ferido com o cobertor.
Não os culpo, talvez no lugar deles fizesse o mesmo, no desespero de ajudar o colega. Mas agora tenho um grave problema: o frio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário