quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cap. 1, parte 6: O Cavaleiro da Morte: a Moeda de Ouro


Ao ouvir o cavalo de aproximar da casa, me levantei e fiquei em posição de luta, com a espada sacada, preparada para atacar o cavaleiro. Tudo estava acontecendo rápido demais e mal podia acreditar que estava diante de uma lenda tão profana!

Torcendo para que Dullahan não conseguisse arrombar a entrada, minha esperança praticamente se foi ao ver a porta se abrir com facilidade, como se esta se recusasse a opor-se ao cavaleiro morto-vivo.

"O que diabos ele fez?" - pensei.

De espada sacada, o algoz do outro mundo entrou na casa ainda montado em seu cavalo (ela tinha um telhado mais alto do que eu gostaria) e, no relinchar ameaçador do animal, cai para trás, de susto. Já de frente para ele pude notar mais os detalhes macabros de Dullahan. Seu corpo não tinha cabeça. Esta estava em sua mão direita, com uma pele estranha, que parecia queijo velho, com os olhos pequenos e negros e um sorriso macabro em seu rosto, indo quase de orelha a orelha. Zumbidos de moscas eram ouvidos por mim e pareciam vir da cabeça, a menos de um metro.

Lembrando que se ele falasse meu nome minha morte estaria confirmada, peguei o cobertor que estava sobre Myles e joguei no monstro. Diante de minha investida, ele recuou e sua cabeça quase vai ao chão. Enfurecido, Dullahan fez seu cavalo dar uma leve empinada para me atacar com os cascos, me fazendo derrubar a espada na cama.

Jamais me imaginei numa situação como esta. Horas atrás pensava em morrer e agora e lutava pela minha vida. Paradoxal no mínimo. Então a sorte me sorriu.

Quando eu joguei o cobertor contra o cavaleiro sem cabeça, o saco de moedas caiu no chão se abriu-se, espalhando o dinheiro no assoalho. Meu inimigo, ao notar isso, subitamente ficou nervoso e recuou seu cavalo, com um medo quase sobrenatural. Então me lembrei: o cavaleiro sem cabeça tem medo de ouro!

- Então é verdade que o grande cavaleiro Dullahan teme o ouro! - provoquei. Meu saco de moedas tinha algumas moedas de ouro, dentre as de cobre. Peguei uma delas e a apontei para o morto-vivo, que se afastou mais ainda e logo bateu em retirada.

Ao vê-lo bater em retirada, respirei aliviado e desmaiei em seguida, no chão da casa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cap. 1, parte 5: O Cavaleiro da Morte: A Face da Morte


Aguardando a noite terminar, adormeci novamente. Já nem ligava se o dono da casa ira aparecer hoje. Melhor ele do que o tal cavaleiro. Contudo, meu sono não durou muito.

Sons do trotar do cavalo. Myles gemia na cama, mas ainda dormia. Parecia estar tendo alucinações. Seu ferimento era grave e já perdera muito sangue. A morte estava próxima. No fim era um pobre coitado e por isso acredito tê-lo ajudado. Um mínimo de dignidade antes da morte para alguém desesperado e que vira o terror horas atrás.

Abri a janela devagar e apenas o bastante para tentar ver o tal cavaleiro. a luz da lua me permitia ver um vulto montado em um cavalo se aproximando. Ao vê-lo chegar, pude distinguir melhor suas formas e um calafrio subiu a espinha.

Acima dos ombros não havia nada! Como pode? Então Myles falava a verdade. Na mão direita, o cavaleiro segurava algo que parecia ser uma cabeça. E então ele gritou:

- MYLES!! MYLES!!!

Ele parou diante da casa e em seguida Myles deu seu último suspiro. Em suas últimas palavras o pobre ladrão sussurrou:

- Pai... mãe... eu sinto muito.

Myles morrera e agora deve descansar em paz. Pelas poucas horas de convívio com ele notei que não era uma má pessoa. Poderia ter me enganado, é claro. Mas duvido que o infeliz tenha entrado nessa vida por vocação e sonho de infância. Fui até o corpo do rapaz para deixá-lo numa posição mais confortável e notei que minhas moedas estavam com ele.

- Que sorte! - imaginei.

Porém o trotar do cavalo recomeçou. E vinha na direção da casa.